Sexta-feira, 27 de Junho de 2008

TE LIGA




A personalidade do usuário de drogas



Vamos falar da personalidade do usuário de drogas.
 
Esse é um tema complexo demais, porque não existe uma personalidade ou um modelo psicopatológico dos usuários de drogas.

Qualquer tipo de psicopatologia pode fazer uma evolução às drogas. isso nos coloca num panorama muito amplo, mas existe uma que tem predomínio na tendência ao uso das drogas, a patologia da depressão.

A depressão é uma doença muito importante nesse momento da história do mundo. o depressivo não é uma pessoa triste, chorando, culpando-se, desligada ou com aquela famosa figura do bonequinho com os lábios para baixo, olhos tristes e lágrimas. há pessoas que estão rindo todo o tempo, há que rir para não chorar. e há depressões mascaradas, que aparecem de forma somática. existem pessoas que estão muito bem aparentemente, mas tem um profundo processo depressivo, e esse estado pode expressar-se, por exemplo, em forma de gripes constantes ou trantornos gastrointestinais, ou as vezes complexos fenômenos psicossomáticos.

Odr Tulan nos Estados Unidos mostrou-nos como as crianças e os adolescentes não se deprimem como os adultos. as crianças pequenas, quando estão deprimidas, podem apresentar-se muito agitadas. cito exemplos de depressão equivalentes na criança: transtornos de sono e alimentação, anginas e gripes constantes. uma criança que corre todo o dia, brinca, está escondendo talvez um processo depressivo. Oadolescente geralmente depois dos 15 ou 16 anos, começa a ter a depressão modelo adulto: antes, a depressão se expressa por trantornos de conduta, psicossomáticos , de sono, da motilidade; no estudo, alterações da concentração, da atenção. quantos adolescentes no colégio não estão indo mal? não se concentram, não estão indo bem. estão expressando um processo depressivo.

Em termos de transtornos de conduta, de hábitos, cito os rapazes agressivos, violentos, que criam atritos de todo tipo para fugir da depressão, que aliás é uma palavra que estamos acostumados a usar como um conceito quase normal. Uma pessoa que tem a morte de um ente querido, fracassa num exame, tem uma dificuldade econômica, não ficará triste? Observe a pobreza, observe as dificuldades pelas quais passamos, certas situações da vida, ficamos tristes e a tristeza é um componente normal da vida.

Porém a tristeza da qual temos temor, aquela da qual fugimos, ou a tristeza da qual a pessoa utiliza drogas ou qualquer coisa para não sentir, é uma tristeza terrivel, é a tristeza na qual ela gosta de estar na "fossa". No fundo dessas vivências, estão as vivências de desintegração, da morte. É uma tristeza aonde a morte chega a um ponto que muda de sentido, e em vez de ser uma vivência que se regeita, passa a ser uma a qual a pessoa sente atração, chegando a um ponto em que a morte é a salvação, a única esperança, talvez de outra vida.


Para a lógica humana, é inacreditável pensar que existem pessoas que tem muito mais atração pela morte do que pela vida, e que só encontram uma solução na morte. isso do ponto de vista patológico.

Nós falamos em soluções psicótica, de fantasias psicóticas, de niveis psicóticos de funcionamento mental, mas para eles, estes são recursos extremos de salvação e de sobrevivência. Enesse ponto quero salientar, a mente humana é muito complexa e não é tudo lógico como nós vemos. Écomo um "iceberg", aquela montanha degelo que nós vemos, talvez de 1.000 metros, mas sob o mar talvez tenha 3.000 metros

Nós vemos que uma pessoa está procurando soluções psicóticas e está sentindo que encontra um caminho em outra vida. e se produz uma sensação de perplexidade, de impotência, de angustia, quando agora, nesse mundo desumanizado, nesse mundo consumista. Adepressão é cada vez mais importante para os seres humanos. o mundo está sendo inadequado para a vida humana: a mecânização, a robotização do ser humano cada vez é maior e a vida cada vez tem menos valor.

Encontramos uma faixa não muito importante da população - especialmente de jovens que aprendem de nós, porque ninguem é original em sua patologia, como eu sempre digo. Jovens que se criam num mundo onde a morte e a destruição é mais importante do que a vida, vão adotando condutas nas quais a morte, e não a vida, prevalece. e tudo isto, pela lógica formal, não nos "entra" como é possível que jovens, crianças lindíssimas, adolescentes lindíssimos, procurem morrer, ao invés de viver?

Essas crises de valores totais influem sobre a psicopatologia humana, e as pessoas mais vulneráveis são aquelas que tem fundo depressivo. Equais são aquelas que tem fundo depressivo? As que em suas primeiras épocas de vida sofreram carências de vínculo humano, amorosos ou abandonos. Aorigem da depressão é o abandono macro ou macroscópio. Afalta de amor e a separação precoce da família são os núcleos geradores desse tipo de estrutura humana que depois vão se misturando com outras formas de funcionamento mental, mas que significam um potencial de fragilidade ou vulnerabilidade muito grande.

Sabemos muito bem hoje, que uma criança para se desenvolver, precisa de constância de objetos de amor, de tempo e dedicação, precisa de palavras, de ser tocada, de ser querida, e devagarinho ser ajudada a se desenvolver e se liberar, se indempendizar. nesse momento da da sociedade, de crises humanas, econômicas e de valores, quantas poucas crianças da nossa américa podem ter o luxo de ter pai, mãe, uma casa, uma família e se desenvolver? Quantos milhões de crianças ficam sozinhas, a mãe não tem tempo de atende-las, o pai está trabalhando, lutando pela sobrevivência, ou não existe? OBrasil tem um problema de abandono infantil muito grande. Temos que levar em conta todos esses fatores, porque agora vai levar 10 ou 20 anos de trabalho muito duro para tratar de mudar esse clima que foi criado e esse terreno fértil que estamos tendo ao desenvolvimento da droga.


Quando o dr Harllow apresentou seus trabalhos com macacos, ele separou três grupos de macaquinhos. Oprimeiro grupo, o fez criar por uma mãe macaca. Osegundo, o fez criar por uma mãe macaca que era feita de arame coberta de pele, era um brinquedo, e colocou mamadeira nos peitos para dar de mamar aos macaquinhos, que brincavam, iam e voltavam, subiam na mãe. O terceiro grupo o fez criar por uma mãe só de arame. Era uma figura muito estranha com mamadeira nos peitos.

Os macaquinhos criados por por sua mãe de verdade se desenvolveram bem. Se correntes elétricas, luzes que assustavam, barulhos fortes passavam na caixa onde eles estavam, os macaquinhos corriam, ficavam com a mãe, voltavam a experimentar o que era aquilo. Desenvolveram-se.

Aqueles criados pela mãe boneca, com pele, que tinha cheiro de macaco porque os macaquinhos urinavam e defecavam sobre sobre ela iam e voltavam e quando encontravam dificuldades na vida, alguns conseguiam sair da situação se não era muito difícil, outros fracassavam. Mas os macaquinhos criados pela pela mãe de arame eram verdadeiros esquizofrênicos, com depressão profunda, incapacidade de enfrentar as dificuldades da vida e morriam quase sem se defender se a coisa era muito difícil para eles.

Moral da história: o contato humano na formação de uma criança exige dedicação. Nenhum animal da escala biológica abandona seus filhos, como faz o animal humano. Oque nós chamamos civilização tem esquecido que somos seres biológicos.

E agora vou integrar todos esses pontos que estive tratando. Oponto central para compreender a ideologia das drogas é que o ser humano não pode aceitar sua finitude, não pode aceitar que seres como nós, que podemos pensar e que podemos fazer coisas tão fantasticas como fazemos, temos que morrer como todos os seres biológicos. Nenhuma planta, nenhum animal vai questionar quem nasce, cresce, se reproduz e morre, mas o ser humano de todas as épocas rejeitou ter que morrer, e nós inventamos tudo o possível para não ter que morrer ou para ter a ilusão de onipotência. Desde a humanidade da qual temos notícia, sempre o homem encontrou formas de fazer uma "armadilha" para a morte. E aquelas pessoas que tem mais vulnerabilidade à morte são as que mais tratam de fugir dela. Eessas pessoas que tem fases depressivas, que tiveram carência de amor e de afeto, que foram abandonadas precocemente, são as mais vulneráveis.

Por isso, professores, médicos, pediatras, aqueles que trabalham com crianças podem começar a detectar desde criancinhas as pessoas com muitas carências, que serão as mais vulneráveis as drogas. Agora, há que se aclarar um ponto. Muitas vezes temos pessoas que não tem um problema sosioeconômico grave, que tem uma condição econômica e social que permite a dedicação aos filhos e tudo isso, mas a depressão não tem a ver só com o econômico e o sociopolítico, tem a ver com a natureza humana. Por exemplo nos grupos de alta renda econômica também acontece o abandono dos filhos, a mãe, em vez de ter que ir trabalhar, tem que ir a nova york fazer compras, para tomar um exemplo extremamente exagerado, ou deixar as crianças em mãos de babás, de outras pessoas ou das próprias avós. Os seres humanos se esqueceram de que não se pode fazer isso.


Todos sabemos que houve uma moda, durante anos, de esquecer a lactação, que tem a importância não só de dar leite, proteínas, substâncias imunológicamente importantes e, sim, de transmitir cultura, amor à vida. uma mãe que está amamentandoe gosta disto, está transmitindo à criança amor á vida. Uma mãe triste, que tem que estar fumando, falando ao telefone, ligando a televisão, em suma, vivendo uma vida que não tolera, por mais que esteja dando de mamar, está transmitindo uma cultura de não-amor à vida. E lutar pelo amor à vida não é só um fato parcial. Avulnerabilidade à depressão tem se convertido num grande fenômeno muito difundido em todas as estruturas psicopatológicas. Além disso, os seres humanos, para viver uma vida cada vez mais robotizada, procuram combustíveis especiais e a sociedade descobriu que se pode lucrar com as falências humanas.

Asociedade tem compreendido que estamos vivendo num momento muito fraco, então. as indústrias estão oferecendo todo tipo de substâncias. "aguente essa barra e não se modifique". Toda atitude é consumista, e nesse sentido, estamos querendo curar drogadição com drogadição. Por isso eu falo das adições receituadas. Tomemos por exemplo os sedativos.

Adepressão é a enfermidade básica mais importante da sociedade atual. Oque se tem feito para isso ? As indústrias farmacológicas tem oferecido uma grande quantidade de medicamento, que em 80% são profundamente aditivos. Então para curarmos a depressão vamos nos tornar todos toxicômanos. Enão podemos reagir, pois tudo isso movimenta capitais fantásticos. Por que essas indústrias farmacêuticas tem dúzias de milhares de técnicos trabalhando nisso. Eentão, o que acontece? Nós temos uma grande parte da população que se droga com drogas lícitas: álcool, tabaco, benzodiazepinas, uma quantidade de medicamentos e sedativos muitos difundidos. Eoutra quantidade, que são aqueles que procuram as drogas ilegais: este tem a ver com conflitos de gerações, tem a ver com a qualidade de drogas que se oferece e há de se ver que existe uma faixa da população que precisa de coisas muitos fortes e necessita criar alguma forma de sobreviver dentro dessa crise mundial de valores.

Dentro da psicopatologia humana, temos que a depressão é a base principal, mas temos outra patologia, que quando encontra esta situação, se expressa de forma diferente. é a patologia dos transtornos de conduta. Edentro da patologia dos transtornos da conduta temos o componente psicopático. Os psicopatas são os que lucram e são aqueles que ficam mais doentes dentro de toda esta história. vamos ver como é isso isto.

No meio da juventude, uma grande defesa para essa depressão de abandono é a estrutura impulsiva, os recursos impulsivos, os recursos psicopáticos, a personalidade de ação, como uma forma de não sentir a depressão.

Esses são os personagens mais difícies da escola, da rua, e com os quais geralmente a polícia tem que lidar. São pessoas muito fracas, que em vez de desenvolverem o pensamento, desenvolvem a ação, em vez de desenvolverem a capacidade refletir frente aos fenômenos, atuam a frente a estes. São pessoas que tem de fundo uma grande depressão, mas apredem a se defender com a ação. Eeste tipo de pessoas, além de serem grandes consumidores de drogas, são as que também descobrem que se pode lucrar com isto são as que formam parte das máfias e toda essa criminalidade que entra no sistema das drogas, porque são pessoas que tem um modo de funcionar onde a moral não entra como um regulamento de sua atuação. São as pessoas que não conhecem o `não', que não tem limites,que não sabem que existem tabus, que não aprederam os 10 madamentos e não sabem que não se pode matar. No código deles, a ação, o desejo e o impulso são prioritários. Eesse tipo de pessoa, para sobreviver, além de consumir, entra nesse negócio, e estamos permitindo que eles se multipliquem cada vez mais.

Eu disse que ia falar de uma psiquiatria dinâmica, e ela mostra que os componentes psicopáticos podem existir em todos os tipos de personalidade mais integradas. Em uma sociedade onde os valores morais estão em crise, pessoas de nível socioeconômicos, cultural, e sociopolíticos altos, tem componentes psicopáticos. Poderosas indústrias estão lucrando ao colocar a população em alto risco de saúde. As leis feitas para nos proteger são vulneráveis a esses tipos de situações. Apopulação também exige soluções mágicas às suas ansiedades. Estamos entre a produção de medicamentos psicotóxicos, e uma população que os demanda. todo mundo tem pouco tempo. Eo médico tem maus salários, trabalham em instituições que exigem receber 50, 60, até 100 clientes por dia. Émuito fácil ver como o grupo psicopata de mafiosos começou a lucrar com as debilidades humanas desde sempre e foi se acrescentado heroína, cocaína, maconha. todo esse "negócio' é deles.

Oresultado é que as indústrias farmacêuticas tornaram-se um grande nogócio dentro da nossa sociedade, e agora tudo começa a se misturar. Basta pegar o jornal de hoje, e ler que a policia dos estados unidos, em colaboração com ingleses e franceses, descobrem que a lavagem do dinheiro das máfias criam bancos. As máfias são os grandes financistas do mundo.

Numa aula de psicopatologia e da personalidade do usuário, não podemos deixar de ver que a oferta das drogas caminha próximo aos bancos que estão manejando o nosso dinheiro e influindo em nossas vidas. Cada vez mais, temos pessoas mais imaturas, com menos amor, com menos tempo de formação, que são seres vulneráveis. Adepressão é a enfermidade básica mais importante da psicopatologia humana. Ela requer, além de antidepressivos e estudos biológicos, tempo, amor e dedicação. Otempo para o amor é cada vez menor, não temos tempo para ele.

Com estas palavras, estou tratando de ligar o que é psicopatologia, um fenômeno muito mais abrangente, e que a vulnerabilidade às drogas atinge qualquer psicopatologia. Porque uma pessoa pode se estruturar com fobias ou com traços de uma neurose obsessiva, mas isso não quer dizer que no fundo não seja uma pessoa depressiva, que não tenha pontos fracos. E que em algum momento tenha potenciais de ação e, num momento que não está bem, que está fraca, surge uma sociedade que lhe oferece espinafre, como o popeye.

Quando nós éramos crianças, e assistíamos aos desenhos animados, víamos que o popeye, frente às dificuldades da vida, comia espinafre. Era um bom elemento pedagógico para mostrar às crianças que para crescer bem forte voce tem que ter uma boa alimentação . No entando, simbolicamente dava a idéia de que há substâncias que deixam a gente forte instantaneamente. e o resultado é que há uma propaganda maciça a favor de substâncias que vão nos deixar cada vez mais fortes, a qualquer momento.

Nós, por defendermos uma ideologia de liberdade, de defesa dos interesses privados e do nosso modo de pensar, permanentemente estamos ensinando que cigarro, álcool, pílulas, remédios, bolinhas de todo tipo servem para curar as fraquezas humanas. As pessoas, quando não encontram resultado com isso, fazem uso de outras substâncias. Acocaína está triunfando nessa área do mundo, e por que ? Porque aparece como a droga euforizante mais fantástica que se descobriu. Eos interesses econômicos que estão por trás dela fez com que a oferecesse em diferentes formas. Assim como uma determinada substância médica, se oferece em xarope, comprimidos, gotas e injeções, a cocaína se oferece em pasta de cocaína, cocaína de base livre, cocaína de cloroidrato, crack. Eles têm técnicos de alto conhecimento químico, os chamado `drug-designers', que lhes preparam modificação da cocaína para oferecer ao mercado este grande antidepressivo.

Acocaína se oferece como a substância que ó espinafre do momento. Eela triunfou porque cria um estado de exaltação. Eu a chamo a droga da inflação, pois na época de inflação ninguém poupa. Poupar é uma doideira. Tem que ser bobo para poupar quando o dinheiro perde o valor a cada momento. Por exemplo, quando eu era criança, na escola tínhamos caderneta de poupança. agora, na escola deve-se ensinar a especular com dólares, com taxas de juros, coisas que sirvam à criança de hoje. Não podemos ensinar a poupar. Então, há essa mudança de valores, vejam como é interessante a cocaína.


O organismo humano, como todo o fenômeno biológico de reciclagem, a medida de que produza neurotransmissores, poupa noradrenalina. Aadrenalina e a dopamina são neurotransmissores para se excitar, viver, ter energia, para ter alegria. Oorganismo as produz e poupa. Odepressivo tem falta disso. Acocaína oferece a produção maciça, mas sabe qual é o segredo do que acontece ao organismo com a cocaína? Corta a poupança, inibe a recapitalização. Oorganismo produz, e não poupa, e se chega ao esgotamento.

Adepressão pós-cocaína, que é o que acontece em nossas economias - de inflação e depois a depressão. Apobreza - produtos difícies de manejarmos na nossa época.

Quero fechar este artigo mostrando que psicopatologia e sociedade estão diretamente ligadas. Eque, para resolver esse problema, é preciso encontros interdisciplinares, leis, lutas de todos os grupos humanos. Precisamos parar de ficar procurando bodes expiatórios para quem é o culpado de tudo o que está nos acontecendo. Oque esta acontecendo é produto de que nós, seres humanos, esquecemos que somos seres biológicos, que temos limites e que formamos parte de um todo, onde o ar, a água, as plantas, os animais, tudo está ligado. Ese levarmos em conta tudo isto e fizermos uma luta pela vida, o problema das drogas, que é o problema da destrutividade, vai ser vencido.



Autor : DR.EDUARDO KALINA , PSIQUIATRA
"1O. ENCONTRO ESTADUAL DROGAS: PREVENÇÃO HOJE"










870 mil pessoas consomem cocaína no Brasil


O Brasil é o segundo maior mercado de cocaína das Américas, com cerca de 870 mil usuários,
somente atrás dos EUA, que possuem cerca de 6 milhões de consumidores da droga. O consumo anual da droga passou de 0,4% da
população adulta em 2001 para 0,7% em 2005.
O maior número de usuários se concentra nas regiões Sudeste e Sul do país.

O Brasil também é responsável pelo maior volume de maconha apreendidona América do Sul no último ano, com 167 toneladas.
A maconha produzida no Brasil é utilizada em sua maior parte para uso doméstico e não apresenta parcela significativa entre os
grandes produtores da droga na América do Sul.

No entanto, o consumo da maconha e do haxixe no país aumentou duas vezes e meia, o que reflete a expansão da oferta de derivados de cannabis no vizinho Paraguai. Em 2001, 1% dos brasileiros consumia a droga. Em 2005, o número chegou a 2,6%.


(Folha Online)


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Sábado, 21 de Junho de 2008

IMAGENS QUE FALAM

IMAGENS QUE FALAM









Escrito por ronaldo allyson em 01:03:24 | Link permanente | Comments (0) |

Sábado, 14 de Junho de 2008

Só pra você fica sabendo



Americano traído recebe indenização por 'esposa roubada'

Um empresário do Mississippi foi condenado a pagar US$ 750 mil (cerca de R$ 1,3 milhão) a um encanador por ter "roubado sua esposa". Sandra Valentine estava casada com Johnny Valentine havia quatro anos quando começou a trabalhar para o empresário milionário Jerry Fitch Sr. Após um ano, Sandra e Fitch, que também era casado, iniciaram um caso amoroso. Quando Sandra ficou grávida, Johnny, que suspeitava que estava sendo traído, pediu um teste de paternidade, que mostrou que ele não era o pai. Johnny pediu o divórcio e, em seguida, processou Fitch com base em uma lei de "alienação de afeto", que permite que um marido traído obtenha compensação por "perda social, de companheirismo, amor e afeto", assim como pela "perda de relações sexuais". Fitch entrou com uma apelação contra a condenação na Suprema Corte americana, que se negou a analisar o caso na segunda-feira. "Esta lei de alienação de afeto existe atualmente apenas em sete Estados dos Estados Unidos", afirmou Fitch à emissora americana ABC News. "Ela tem de ser extinta. Isso não está certo." Os outros Estados americanos que mantêm a lei são Havaí, Illinois, Novo México, Carolina do Norte, Dakota do Sul e Utah. A lei basicamente determina que uma mulher é propriedade do marido, uma idéia que muitas mulheres, incluindo Sandra Valentina, consideram uma ofensa. "Eu não me considero uma propriedade", disse Sandra à ABC. "Nem de Johnny, nem de ninguém. Só de mim mesma." Sandra também rejeitou a alegação do ex-marido de que o casamento dos dois ia bem até ela começar a trabalhar para Fitch. "Isso não é verdade. Johnny tinha problemas com jogatina", afirmou Sandra, que disse não ter deixado Johnny antes por causa dos filhos. "O nosso casamento foi sendo destruído em um período de seis anos."

Inteligência se mantém estável após os 20 anos de idade

Um estudo conduzido pelo pesquisador dinamarquês Lars Larsen, da Universidade de Aarhus, indica que a inteligência se mantém estável após os 20 anos de idade e em alguns casos pode até aumentar com o passar dos anos. A pesquisa contradiz a teoria de que a capacidade intelectual está em seu auge durante a juventude, entre os 18 e os 26 anos de idade. O estudo foi baseado nos dados de 4,3 mil ex-soldados americanos, que passaram por uma bateria de testes de inteligência ao entrar no serviço militar, por volta dos 20 anos. Os mesmos soldados, todos veteranos da Guerra do Vietnã, foram submetidos a novos testes duas décadas depois e os resultados mostraram que a capacidade aritmética estava inalterada, em vez de ter reduzido com a idade, e a habilidade verbal melhorou consideravelmente. Larsen diz que a melhoria pode ser resultado de longos anos de prática. Segundo o pesquisador, com o aumento da experiência de vida e com os desafios que se encontram pela frente, as pessoas desenvolvem mais destreza verbal para descrever seu mundo e lidar com as diferentes situações. Este efeito anularia a perda de células cerebrais que técnicas de escaneamento mostraram ocorrer pouco antes dos 30 anos de idade. O estudo, publicado na revista acadêmica Intelligence, faz parte de uma revolução na pesquisa sobre a inteligência, que começou há vários anos e causou uma reviravolta na antiga idéia de que a inteligência tem sua fase mais poderosa no início da fase adulta e depois inicia um longo, lento e inevitável declínio. A pesquisa também abre caminho para mudanças na concepção de empregadores e instituições educacionais sobre a inclusão em seus quadros de pessoas com idade mais avançada.

 

busca

 

Toda hora alguém tenta inventar um site de busca que ganhe do Google, dessa vez foi o Yahoo!. O site All the Web mostra os resultados a medida que você digita (sem precisar apertar o enter) e ainda oferece buscas prováveis. É bacana e quem gosta de buscas muito rápidas vai adorar. O porém é que o site ainda está em versão beta e não oferece opções para buscas específicas em português. Então Google, pode ficar tranqüilo, não é dessa vez que eu troco você.



O ciúme romântico e a infidelidade amorosa

Uma perspectiva nacional para os relacionamentos contemporâneos


Por Thiago de Almeida *


Pode-se dizer que mesmo quando não se trata da escolha de um(a) namorado(a) com vistas a um relacionamento a longo prazo, as pessoas são temerosas de que seus(suas) parceiros(as) encontrem parceiros(as) potencialmente mais atraentes e gratificantes do que eles(as), e dessa forma, alimentam, freqüentemente, uma insegurança afetiva (Buss, 2000; Murray & Holmes, 2000).

Conseqüentemente, por se encarar os relacionamentos amorosos como empreitadas de um elevado risco e, talvez, com não tão significativos benefícios, vive-se em busca de se apossar do que é melhor em cada pessoa, a cada momento, numa dinâmica contraproducente à qualidade de qualquer relacionamento.

No caso de relacionamentos de longa duração, como matrimônios, por exemplo, acordos pré-nupciais prevendo futuras rupturas e abandonos, palavras cada vez de menor valia, e promessas cada vez mais rigorosamente supervisionadas a fim de serem cumpridas, são situações cada vez mais rotineiras, das quais ninguém mais passa incólume. Em minha opinião, essas e muitas outras ruminações mentais que levanto a respeito do amor e de seus desdobramentos distorcem e afastam mais e mais as pessoas umas das outras, ao invés de encaminhá-las para serem felizes juntas e unidas por um mesmo ideal.

Muitos pesquisadores estudam com afinco a questão dos fatores que podem contribuir para que um relacionamento amoroso se mantenha estável e tenha uma boa qualidade para ambos os parceiros. Alguma coisa se produziu, embora ainda muita coisa precise ser investigada a respeito. Duas das mais inquietantes preocupações que as pessoas têm no tocante aos relacionamentos amorosos são o ciúme romântico e a infidelidade.

Primeiramente, em relação ao ciúme, pode-se dizer que ele é uma emoção extremamente comum. Para Shinyashiki e Dumêt (2002): “é inegável que todos nós, em algum momento da vida, e em graus diferentes, experimentamos a sensação de ciúme” (p. 80). O ciúme pode ser entendido como uma reação frente à ameaça de um rival (real ou não) a um relacionamento importante (Costa, 2005; Kebleris & Carvalho, 2006; Kingham & Gordon, 2004). Está presente com freqüência nas relações humanas, e, quando relacionado às relações diádicas-afetivas, isto é, aos casais, é denominado de ciúme romântico (Hansen et al, 1985; Salovey, 1986;1989). Hintz (2003) ainda destaca que o ciúme faz parte da relação amorosa. A idéia de ser o(a) único(a) na vida do ser amado desaparece, quando entra um terceiro elemento na relação. A idéia de infidelidade, muitas vezes, não é confirmada, todavia, o medo da perda origina idéias persecutórias, levando, possivelmente, à destruição da relação.

Segundo Stendhal (1999) o ciúme (leia-se: ciúme romântico), é o maior de todos os males. Seja ou não verdadeira esta afirmação, a experiência do ciúme é comum nos relacionamentos amorosos (Almeida, 2003; Amélio, 1999; Amélio & Martinez, 2005; Clanton, 1998; Melamed, 1991; Pines, 1998; Pines & Aronson, 1983).

Para os autores Hintz (2003) e Branden (1998), o ciúme é uma emoção experimentada por um indivíduo que percebe que o amor, a afeição e a atenção estão sendo dados a uma terceira parte, quando julga que estas oportunidades deveriam estar sendo oferecidas a ele.

Consoante Amélio (2001; 2005) e Salazar, Couto, Gonçalves e Pereira (1996), o ciúme em doses certas serviria para fortalecer, aliado a outros fatores, a estabilidade de um relacionamento amoroso. Ainda, segundo Amélio (1999) uma completa ausência de ciúme é danosa para um relacionamento amoroso, por geralmente implicar numa baixa adesão de pelo menos uma das partes envolvidas. Concorde a esta linha de raciocínio, Fischer (2006), argumentará que o ciúme pode estimular uma pessoa a acalmar o parceiro desconfiado com declarações de fidelidade e ligação, contribuindo para a durabilidade do relacionamento. Ainda segundo Fischer (2006) o ciúme é uma reação adaptativa, uma vez que homens e mulheres captam sinais genuínos de que o relacionamento está fracassando, ou ainda, quando lidam com parceiros descompromissados, de forma que, se perseverarem em tal tipo de relacionamento, terão menos oportunidades de conseguirem parceiros mais adequados, além de diminuírem as possibilidades de propagarem sua descendência.

Pittman (1994) afirma que “o ciúme pode ser uma emoção normal, adequada e, inclusive, necessária. Ele é a consciência de uma distância e interferência em um relacionamento de compromisso” (Pittman, 1994, p. 48). Principalmente, no contexto brasileiro, muitos dos que são objeto de um ciúme, dependendo do grau e de acordo com seus históricos de vida, sentem-se lisonjeados em granjear este tipo de atenção para elas mesmas (Ferreira-Santos, 1998). Contudo, não devemos deixar escamotear a nossa percepção e deixar passar despercebido o número de caso de violência doméstica, crimes passionais, dentre outros fatos comentados pelos noticiários diários, ou mesmo citados e estudados pela literatura científica (Daly & Wilson, 1988; Hannawa, Spitzberg, Wiering & Teranishi, 2006; Mullen, 1996). O Ciúme Patológico pode até motivar homicídios, e muitas dessas pessoas sequer chegam aos serviços médicos (Shepherd, 1961).

Para Palermo et al (1997), a maioria dos homicídios seguidos de suicídio são crimes de paixão, ou seja, relacionados a idéias delirantes de ciúme intenso ou excessivo (Palermo et al, 1997). São, geralmente, crimes cometidos por homens (mas, isso não exclui as mulheres do problema) com algum problema psicológico, desde transtornos de personalidade, alcoolismo, drogas, depressão, obsessão, até a franca esquizofrenia. Desta forma, pode-se inferir que são os excessos e estes, desequilíbrios, por exemplo, aliados ao ciúme é que causam as nefastas conseqüências para os relacionamentos amorosos e não o ciúme em si.

Em relação à infidelidade, existe em nosso país uma frase que sintetiza o nosso repúdio à infidelidade: “Lavar a honra com sangue”, isto é, dar vazão aos comportamentos mais violentos quando vítimas da infidelidade, inclusive nos achando no direito de subtrairmos a vida de um outro ser humano. E, até recentemente esta atitude era legitimada perante os tribunais brasileiros (Hatfield & Rapson,1996; Page, 1995).

Ao realizar uma pesquisa com 80 pessoas, Dela Coleta, SantaMarina e Castro (1986, citado por Dela Coleta, 1991) procuraram investigar atribuições de causas a eventos naturais e acidentais. Para as causas relacionadas ao fracasso no casamento foram apontados em primeiro lugar o desamor, a desunião e a irresponsabilidade, seguindo-se as brigas, os ciúmes, várias características negativas atribuídas à mulher e a incompatibilidade de gênios.

Ades (2003), investigando o ciúme de brasileiros, descobriu, dentre outras coisas, que o país com maiores diferenças entre os ciúmes de homens e mulheres é o Brasil, sendo os homens brasileiros muito mais ciumentos. Talvez em países com altas taxas de fertilidade, como o Brasil, os homens sejam mais propensos a manifestarem graus elevados de ciúme frente à infidelidade sexual das mulheres. Neste mesmo estudo, o autor chegou à conclusão de que os homens expressavam mais perturbação que as mulheres em relação ao ciúme sexual, em oposição ao ciúme emocional, o que confirma os estudos de Buss (2000). O estudo de Ades (2003) também observa que os homens são os que têm uma maior probabilidade de retaliarem os seus rivais especialmente em se tratando de uma infidelidade sexual.

De acordo com Guerra (2004), em um levantamento bibliográfico realizado na Universidade Federal de Uberlândia, o qual abordava os temas de violência conjugal e violência intrafamiliar, no Brasil o ciúme desponta como a principal causa aparente da violência. Ainda neste estudo, dos 115.000 processos criminais analisados (todos referentes ao ano de 1995), do Tribunal de Justiça de Minas Gerais, 15% destes eram crimes contra a mulher e, na maioria dos casos, o réu era o marido ou um parceiro amoroso.

Segundo a literatura cientifica o ciúme é expresso de modo diferente por homens e mulheres (Desteno & Salovey, 1996; Harris, 2005; Sagarin, 2005; Shackelford, Buss & Bennett, 2002). O estudo de Kebleris e Carvalho (2006) sugere que as mulheres reagem ao ciúme de uma maneira mais intensa do que o homem, ou, ao menos, percebe suas reações como mais intensas do que o homem percebe suas próprias reações, ao ciúme (Kebleris & Carvalho, 2006).

Pari passu, o ciúme está relacionado à infidelidade amorosa que, por sua vez, está relacionada à falta de observância do compromisso de exclusividade daqueles que deveriam estar comprometidos com um relacionamento amoroso (Lusterman, 1998; Pittman, 1994).

Goldenberg (2006) aponta que numa época como a nossa em que os casais não acreditam no amor eterno, é interessante refletirmos sobre a questão da fidelidade, que permanece como uma busca permanente, inclusive para os relacionamentos extraconjugais. Segundo esta autora “a fidelidade permanece como um valor, apesar das enormes mudanças nas relações afetivo-sexuais na atualidade” (Goldenberg, 2006, p. 18). Assim, pode-se inferir que a infidelidade não somente é condenada nos relacionamentos amorosos oficiais, mas também nos que são paralelos ao vínculo assumido com os atuais parceiros.

As infidelidades podem abarcar muitas manifestações diferentes, além de poder prejudicar inúmeros relacionamentos amorosos. Excetuando a esterilidade, o adultério é a maior causa de separação segundo o estudo transcultural de Betzig (1989). E muito embora o adultério sempre tenha sido punido pela sociedade de diversas formas, mesmo assim, a infidelidade é uma prática corrente, em qualquer lugar, possivelmente pela constante busca de satisfação (Lins, 2006).

Para Vieira citado por Kupstas (1997), nas sociedades monogâmicas a fidelidade associava-se a honra e a moral, e dessa forma era considerada um instrumento protecionista para a estrutura familiar, talvez até mesmo um imperativo biológico, uma adaptação evolutiva à questão da incerteza da paternidade. E dessa forma, dava-se grande ênfase à fidelidade feminina enquanto a infidelidade masculina era bem aceita.

Evidencia-se, que a infidelidade, a exemplo do ciúme, não se atém somente aos relacionamentos maritais, e pode ser encontrada em outros contextos românticos como namoros, noivados e demais formas de relacionamento interpessoal amoroso (Bringle, 1995 a e b; Goldenberg, 2006; Shackelford, Leblanc & Drass, 2000; Thompson, 1983; 1984).

Por ocasião da descoberta da infidelidade, muitos pensamentos vêem à tona e estes pensamentos são acompanhados por uma gama de sentimentos: raiva, vergonha, medo, e, sobretudo, pelo ciúme. Nesse sentido, ele não é somente constituído por sentimentos, mas também, por cognições, ações e alterações fisiológicas, derivados do medo da perda do ser amado. Daí, as pessoas podem se comportam das mais diversas formas: separando-se, negando a situação em andamento, cuidando melhor dos parceiros, de si mesmas, retaliando os parceiros, ou mesmo os rivais, dentre outras possibilidades.

Sabemos que, em nosso cotidiano, quase que freneticamente, busca-se cada vez mais o amor. Infelizmente, tal importância é mais bem percebida quando as coisas não vão bem. Quando isso acontece, tanto o nosso humor, como a nossa capacidade de concentração, a nossa energia, o nosso trabalho e a nossa saúde, dentre outras dimensões das nossas vidas, podem ser profundamente afetados (Amélio, 2001). Logo, evidencia-se de acordo com tudo o que foi anteriormente apontado a necessidade das pessoas que sofrem pelos excessos de ciúme, ou ainda que foram ou são infligidas pelos malefícios de uma infidelidade de procurarem, no mínimo, por uma ajuda psicológica para mitigarem seu sofrimento físico e emocional, levando-se em consideração que o amor, e temas como o ciúme romântico e a infidelidade amorosa, relacionados a ele, são fenômenos extremamente presentes em nossas vidas.

* Dr. Thiago de Almeida é psicólogo e pesquisador do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo (Departamento de Psicologia Clínica) especializado no tratamento de relacionamentos amorosos problemáticos e psicoterapeuta de casais. E-mail para contato com o autor: thalmeida@usp.br



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Escrito por ronaldo allyson em 16:42:36 | Link permanente | Comments (1) |

Sexta-feira, 13 de Junho de 2008

“Usar drogas é uma escolha pessoal”

“Usar drogas é uma escolha pessoal”



Para a jurista carioca, comprar cocaína deveria
ser tão natural quanto comprar um chope

Reprodução/ 

Juíza Maria Lúcia: "Já provei cocaína e maconha, mas não gostei"

Quando Maria Lúcia Karam entrou no curso de direito da Universidade Estadual do Rio de Janeiro, ainda existia o Estado da Guanabara e a UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) era UEG (Universidade Estadual da Guanabara). Ela passou também no vestibular de psicologia e passou um ano fazendo os dois cursos. O ano era 1967, e o movimento estudantil estava em sua fase mais perigosa e mais ativa. Foi o engajamento mais fervoroso entre os estudantes de direito que fez Maria Lúcia optar por estudar a lei. Depois disso, ela pegou gosto. Tem três livros e vários artigos publicados sobre direito penal. A tese desenvolvida em De Crimes, Penas e Fantasias foi a que serviu de base para a argumentação do desembargador paulista que inocentou um portador de cocaína. Na mesma linha de raciocínio será Proibições, Riscos, Danos e Enganos: as drogas tornadas ilícitas, o livro que a juíza aposentada lançará no segundo semestre deste ano. Em entrevista a ÉPOCA, ela diz por que acredita que as drogas devem ser legalizadas.

ÉPOCA - Como a senhora chegou à conclusão de que as drogas ilícitas deveriam ser legalizadas?

Maria Lúcia Karam -
Vendo que não há diferença entre consumo de álcool, tabaco, maconha, cocaína. Percebendo que usar uma ou outra é uma opção pessoal. Tem gente que gosta de tabaco e gente que gosta de maconha. E não tem nenhuma diferença, todas essas substâncias provocam alterações no organismo, no comportamento, então esse tratamento diferenciado dado pela lei não se justifica.

ÉPOCA - O mais coerente, então, não seria proibir todas?

Maria Lúcia -
Coerente seria, mas seria muito pior. Aí, até café teria que ser proibido.

ÉPOCA - Por que seria pior?

Maria Lúcia
- A proibição significa a total ausência de controle. Um dos grandes enganos do discurso proibicionista é pretender que a proibição seja uma forma de controlar a circulação das drogas. Mas ocorre justamente o contrário. Quando o mercado é ilegal, ele é totalmente descontrolado, porque não está submetido a nenhuma regulamentação. Causa maiores danos à própria saúde, que é o pretexto dos proibicionistas para criminalizar essas condutas.

ÉPOCA - Por que a proibição causa mais danos à saúde?

Maria Lúcia -
Porque as drogas são substâncias que podem potencialmente causar danos à saúde e não são submetidas a nenhum tipo de controle de qualidade, ao contrário de qualquer outro produto, como, por exemplo, gêneros alimentícios, que são submetidos ao controle da agência de vigilância sanitária. Além disso, a ilegalidade dificulta a busca de assistência quando se faz efetivamente necessária, porque você vai ter que revelar uma conduta que é considerada ilícita. Pessoas que acompanham alguém que teve overdose têm receio de levá-la ao hospital. Dificulta o diálogo com pais, professores, o acesso à informação.

ÉPOCA - A senhora acha que a sociedade está madura para conviver com a legalização?

Maria Lúcia -
A proibição dessas drogas que hoje são ilícitas é uma coisa que só surgiu globalmente no século XX. Elas sempre foram usadas e nunca foram proibidas. Então, a humanidade está madura para a legalização desde que ela existe.

ÉPOCA - A senhora não acha que muitas pessoas deixam de usar as drogas justamente por serem ilícitas?

Maria Lúcia
- Acredito que isso não faz tanta diferença. Em uma
pesquisa feita recentemente nos Estados Unidos em que se perguntava para os não-usuários de heroína e cocaína se eles passariam a consumir essas drogas se fossem legalizadas, 99% dos entrevistados responderam que não.

ÉPOCA - Se o vício for encarado como uma doença, isso,
não justificaria o fato de o Estado proibir a droga ou adotar
medidas de tratamento compulsório?

Maria Lúcia -
Não acho que a droga e o vício sejam doenças. Eventualmente, você vai ter casos de dependência, mas que são, geralmente, uma manifestação de um problema anterior. Não existe dependência só de droga, pode ser dependência do trabalho, de uma pessoa, causada por um desconforto anterior, e é esse desconforto que precisa ser tratado. Cada pessoa usa drogas de formas diferentes. E a mesma pessoa também usa de forma diferente dependendo do momento que ela está vivendo. As pessoas podem beber mais num dia em que estão tristes, ir a um jantar e tomar só um vinho, ou ir a uma festa e beber um pouco mais.

ÉPOCA - Isso não vai aumentar os gastos públicos com saúde?

Maria Lúcia -
Isso não deve mudar muito. Houve um exemplo relativamente recente nos Estados Unidos. Quando eles acabaram com a lei seca, em 1932, registrou-se um ligeiro aumento do consumo, mas, com o passar dos anos, ele se estabilizou e voltou aos mesmos índices de antes da proibição. Por outro lado, diminuíram os atendimentos hospitalares relacionados ao uso do álcool. Porque a bebida proibida era de pior qualidade.

ÉPOCA - E a criminalidade, é maior em países com maior tolerância ao
consumo, como a Holanda?

Maria Lúcia -
Não. A
Holanda é um dos países com menor índice de criminalidade do mundo. Em 2004, por exemplo, o índice de homicídios foi de 1,27 por cem habitantes. A média de homicídios na União Européia é 1,4.

ÉPOCA - Um outro tipo de criminalidade, aquela causada, por exemplo,
por um viciado em cocaína que rouba para sustentar o vício, não deve aumentar?

Maria Lúcia -
Isso acontece mais na ilegalidade. Como a droga é ilícita, é mais difícil de conseguir e é mais cara. E precisa ser comprada escondido. Um adolescente não tem como pedir dinheiro para o pai para comprar cocaína. Num ambiente de legalidade, ele conseguiria dinheiro de uma forma natural, da mesma forma como o pai dá dinheiro para um menino comprar um chope num sábado à noite. A tendência é diminuir a criminalidade não só na venda, mas também do lado do consumo.

ÉPOCA - A senhora tem filhos?

Maria Lúcia -
Tive uma filha que morreu aos 15 anos num acidente de carro. Faria 35 este ano. Não tinha ninguém alcoolizado ao volante, não teve nada a ver com drogas.

ÉPOCA - A senhora defende que ela deveria poder experimentar cocaína, como qualquer adolescente experimenta hoje álcool?

Maria Lúcia -
Certamente. Como muitos colegas dela já experimentaram, por exemplo, maconha.

ÉPOCA - A senhora já provou alguma droga?

Maria Lúcia -
Lícita? Tabaco, álcool, cafeína.

ÉPOCA - E ilícita?

Maria Lúcia -
Cocaína e maconha. Mas não gostei. Prefiro um vinhozinho.

REVISTA ÉPOCA

Escrito por ronaldo allyson em 14:07:28 | Link permanente | Comments (0) |

Quinta-feira, 12 de Junho de 2008


Últimas do mundo digital


Após 34 meses de desenvolvimento, versão final do navegador chega na próxima terça.

O Firefox 3 será lançado em 17 de junho, próxima terça-feira, segundo um comunicado
no blog para desenvolvedores da Mozilla.

“Depois de mais de 34 meses de desenvolvimento ativo, e com a colaboração de milhares,
estamos orgulhosos em anunciar que estamos prontos”, diz o post.

A data final de lançamento foi divulgada logo após a Mozilla ter liberado uma terceira versão
“quase final, o Release Candidate 3 (RC3), do navegador na quarta-feira.





Operadora controlada pela espanhola Telefônica
confirma que, até o final do ano, trará ao mercado brasileiro iPhone, junto à rival Claro.

A operadora Vivo confirmou nesta quarta-feira (11/06) que trará o iPhone, da Apple, ao mercado brasileiro "nos próximos meses", rivalizando com a concorrente Claro, até então parceira exclusiva da Apple para explorar o gadget no Brasil.

Em anúncio divulgado para a imprensa, a Vivo aprofundou anúncio feito por sua controladora Telefônica, que afirmou que estenderia a venda do iPhone
para 16 países na Europa e América Latina.

Escrito por ronaldo allyson em 22:09:50 | Link permanente | Comments (0) |

Segunda-feira, 02 de Junho de 2008

Morador de rua dos EUA cria site para entrar na lista de bilionários da Forbes

Morador de rua dos EUA cria site para entrar na lista de bilionários da Forbes




Um mendigo que vive nas ruas de Nova York e atende pelo nome fictício de Guy Ritchie criou
um site para arrecadar dinheiro entre internautas e conseguir ser o primeiro morador de rua a ser um bilionário. Segundo Ritchie, o objetivo é entrar para a lista das 500 pessoas mais ricas do mundo da revista Forbes.

Na página Bumllionaire.com ele pede que os internautas doem US$ 1 por ano. Se cada usuário de Internet fizer isso, Ritchie calcula que conseguirá entrar na relação da Forbes até 2009. As informações são do jornal El País.

No site o usuário pode encontrar vídeos do futuro milionário. Em um deles, Ritchie afirma que é um “bilionário no corpo de um mendigo”.  Em um post, ele declara que já é a “4.666.285,715º pessoa mais rica do mundo” e no final declara sua posição no ranking: "Guy Ritchie é mais rico que uma empregada doméstica na África". 

Escrito por ronaldo allyson em 21:41:36 | Link permanente | Comments (0) |