
“Meninas não são bem vindas na Índia.”
O reverendo P.P. Job diz isso como uma questão de fato, sem nenhum sinal de ironia em seu rosto curtido moreno, e, em seguida, começa a contar uma série de estatísticas para provar seu ponto de vista. A cada ano, diz ele, 5 milhões meninas são abortadas em hospitais públicos, no ano passado 25.000 mulheres casadas foram queimados vivos; a cada dia 1.200 meninas desaparecem , provavelmente vítimas de violência doméstica não denunciada.
Relatórios das Nações Unidas confirmam as alegações de Job, uma vez que relutantemente admitem a persistência do infanticídio feminino e a desigualdade de gênero na Índia, mesmo quando a nação se torna uma história de sucesso econômico. “Quando nasce um menino há uma dança”, diz Job, um evangelista e líder de longa data da organização de defesa da liberdade religiosa Voz dos Mártires (VOM). “Nasce uma menina, isso é como uma morte. Todo mundo vai chorar e lamentar.”

É precisamente por causa de tais fatos que o rosto de Job ilumina quando ele cita um outro dado: 504. Esse é o número de meninas abandonadas que ele chama de suas filhas, as crianças que foram enterradas vivas como recém-nascidas ou deixadas para morrer, quando seus pais foram martirizados por sua fé. O abrigo de Job para as meninas, em Coimbatore, uma cidade no sul do estado indiano de Tamil Nadu, inclui uma escola e duas faculdades que educam centenas de jovens mulheres. No início deste ano, inaugurou uma biblioteca eletrônica.
Entretanto, a luta em prol das filhas da Índia não estava na agenda de Job. Ele passou mais de 30 anos pregando em todo o mundo e ajudando os cristãos perseguidos. Na Índia, ele falou contra o fracasso do governo em proteger as minorias religiosas no país predominantemente hindu. Mas depois que seu filho mais novo, Michael, foi martirizado em 1999, ele diz que Deus lhe deu o ministério de ajudar as meninas indesejadas da Índia. O martírio de seu outro filho, John, oito anos depois, apenas reforçou a sua resolução. Ele diz que Deus lhe revelara: “Eu te darei muitas filhas no lugar de seus filhos.”
Agora, através do seu Centro Michael Job, o evangelista está levantando uma geração de meninas que possam seguir os seus passos, saindo dali com um diploma universitário em uma mão e uma Bíblia na outra, compartilhando o evangelho. “Como o apóstolo Paulo, que era fabricante de tendas, elas vão ganhar o seu próprio dinheiro trabalhando duro, e vão pregar o evangelho”, diz ele. “Eu sempre penso: Se eu educar um menino eu educo apenas um homem. Mas se eu educar uma menina, eu educo uma família e a próxima geração, e elas vão produzir uma outra geração. Portanto, nós vamos estar pregando o evangelho para a próxima geração, por causa das meninas. “
504 E CRESCENDO

Chamado de “o Billy Graham da Índia”, Job tem ministrado em 129 países desde 1963 e passou mais de 33 anos como um advogado da VOM. Job, que considera o fundador da VOM, Richard Wurmbrand, seu mentor; trabalhou principalmente na antiga União Soviética e no mundo muçulmano, antes de se tornar presidente, em 1997, do International Christian Association; uma rede que inclui missões VOM, onde atuou até 2002.
“Eu viajei por todo o mundo, 28 nações na África, por muitos países da Europa do leste, porque os povos Africano e as pessoas do Leste Europeu sob o comunismo jamais pensariam que um pregador cristão viria de uma nação hindu,” diz Job. “Mas por causa disso mesmo, não tive nenhum problema em entrar no mundo comunista para ajudar o povo e nem em levar Bíblias para esses lugares.”
Em sua Índia natal, Job também foi um defensor incansável da liberdade religiosa, muitas vezes criticando o governo indiano por não proteger as minorias religiosas. Em dezembro de 1998, depois que ele falou em um comício em frente ao Parlamento indiano em protesto contra as recentes mortes de vários cristãos, hindus militantes lhe enviaram cartas e telefonemas ameaçadores, dizendo-lhe para parar de pregar contra a perseguição ou a sua família seria exterminada.
Foi um tempo de perseguição intensa na Índia. No mês seguinte, em janeiro de 1999, os radicais hindus queimaram vivos o missionário Graham Staines e os seus filhos, em seu carro no Estado de Orissa. No mês de setembro, outro líder cristão, o Padre Arul Doss, foi atacado com flechas até a morte, enquanto ele fugia de sua igreja em chamas, em Orissa. Também nesse ano, no estado vizinho de Andhra Pradesh, outro renomado pastor, o reverendo Botla Ratnam, foi esfaqueado até a morte.
O próprio Job foi atingido na cabeça por estilhaços de vidro quando militantes hindus apedrejaram o carro dele. Mas o pior golpe estava por vir. Enquanto ele estava se recuperando de seus ferimentos, ele recebeu por telefone a notícia de que seu filho mais novo, Michael, um estudante de 21 anos, médico, tinha sido gravemente ferido em um ataque. Michael Job morreu na semana seguinte.
“Eles tentaram me matar”, disse Job. “Conseguiram matar meu filho Michael.”
Ele acreditava que a sua continuidade no ministério seria uma prova da graça de Deus em meio à tristeza e tragédia, por isso ele perseverou em manter o trabalho de pregação. “Embora os assassinos do meu filho quizessem me impedir de pregar a Palavra de Deus, o oposto aconteceu”, ele escreve em seu livro “Transforme sua Tristeza. “Eu comecei a pregar a Palavra de Deus com renovado vigor, porque eu já havia enfrentado o teste final de fé na morte do meu filho.”
Mas Job também começou a sentir que deveria fazer algo para ajudar os outros. “Descobri que as meninas não eram queridas na Índia por causa do sistema de dotes”, diz ele.
Embora a Índia tenha aprovado a Lei Anti-dote, em 1961, tornando ilegal a um noivo ou sua família exigir pagamento de dotes, milhares de mulheres morrem a cada ano, assassinadas por seus maridos ou parentes por causa da falta de pagamentos de dotes. Em uma prática conhecida como “queima de noiva”, maridos encharcam suas esposas com querosene e e as queimam se elas não entregam os dotes exigidos.
O sistema de dotes também deu origem ao aborto seletivo, embora a prática seja oficialmente ilegal. Entre as famílias que não têm acesso a ultra-sonografias, as meninas recém-nascidos muitas vezes são abandonadas para morrer.
Quando Job fundou o Centro Michael Job poucos meses depois da morte de seu filho, ele alojou 31 meninas que ficaram órfãs ou abandonadas. “Eu tomei apenas 31, mas foi muito difícil”, diz ele, apontando para as dificuldades financeiras e logísticas que inicialmente enfrentou. “Eu tinha dois meninos. Era muito difícil cria-los. Então minha esposa disse: ‘Como você pode criar 31? “Mas, lentamente, esse número foi aumentando.”
Ele fundou uma escola para meninas em 2003 e no ano seguinte fundou duas faculdades que se especializaram em educação artística e ciências. Hoje, cerca de 700 jovens freqüentam as faculdades, que são filiadas à instituiçãoTamil Nadu de Educação de Professores e à Universidade Bharathiar, e onde as alunas têm se destacado por suas conquistas acadêmicas. A esposa de Job, a Dra. Mary Job, uma ginecologista que já trabalhou em um hospital dirigido por Madre Teresa, também ajuda a fornecer assistência à maternidade especializada para mulheres pobres e sem educação através de uma clínica no próprio Centro.
Mas em 2007, o ano em que ambas as faculdades começaram a oferecer cursos de pós-graduação, a tragédia o atingiu novamente. O filho mais velho de Job, John, se mudara para Dubai, onde geria um negócio de computadores como uma cobertura para uma gráfica cristã. Ele distribuia Bíblias pela Arábia Saudita, Iêmen e de outras nações oficialmente fechadas à evangelização, e milhares tinham sido alcançados com o evangelho. Mas Job diz: “Infelizmente, recebi um cadáver de Dubai”.
Job diz que assassinato de seu filho por muçulmanos radicais o fez desejar fazer ainda mais para ajudar meninas carentes. “Nós não podemos sentar e chorar”, diz ele. “Quando eles partiraram, se foram para sempre. Eles não vão voltar. Só nós podemos ir até lá. Então eu pensei, Deus está me dando uma oportunidade para consagrar meu tempo inteiro, cem por cento, para estas meninas. Então eu disse a Deus: ‘Se você me permitir, vou adotar 1.000 meninas.”
O número cresceu rapidamente em 2008, quando os radicais hindus mataram dezenas de cristãos no Estado de Orissa e forçaram cerca de 24.000 a fugir para as florestas. Job recolheu 200 meninas apenas do estado de Orissa, cujos pais tinham sido assassinados ou expulsos pela violência. “De repente, veio como um vento selvagem”, diz ele.
Com o apoio de doadores em todo o mundo e uma equipe de 128 pessoas, Job agora cuida de 504 jovens de 22 estados da Índia e países vizinhos, como Nepal, Butão, Mianmar, China e Tibete. Algumas são os filhas de cristãos martirizados. Outras têm pais ministrando em lugares muito perigosos para suas filhas. Muitas das meninas sobreviveram a circunstâncias horríveis.
Quando recém-nascida, Amy foi enterrada viva atrás de uma fábrica. Porque a cabeça espreitou para fora da terra, um homem idoso ouviu seu choro. “Ele tomou sua tocha, foi atrás da fábrica, e viu esta menina”, disse Job. “Ele puxou a garota da terra, e ela está em nosso orfanato agora.” Job chamou a menina de Amy Carmichael, nome da missionária britânica que viveu na Índia.
Há uma Corrie ten Boom no Centro Michael Job também, e uma Noemi, uma Esther e uma Shekinah. Ele deu o nome de Lois a uma menina, em lembrança da avó de Timóteo, discípulo de Paulo. Ela foi encontrada entre os corpos dos pais na manhã seguinte em que radicais hindus assassinaram a eles e a outros cristãos. “Eles a pouparam porque ela é uma garota que ninguém quer”, disse Job. “Em algumas crenças hindus, se você mata uma menina , vai nascer como uma garota. Então, geralmente eles não matam as meninas.”
Um pastor local trouxe a menina para o orfanato de Job, mas, a princípio, ela não falava. “Ela estava com medo”, disse Job. “Ela tinha visto os corpos dos mortos, a morte.”
Quando um voluntária idosa norueguesa visitou o orfanato em um programa extensão de missões, ele designou a senhora como companheira de quarto de Lois. Ela conseguiu fazer com que Lois sorrisse e falasse, quando ela mostrou a ela livros com figuras que narravam a história de Jesus.

“Ela mostrava estas imagens, fotografias, livros, página após página, contando a história para a nossa Lois”, lembra Job. “E Lois diz:” Mamãe, este homem da foto veio à minha casa quando meus pais morreram e me disse: “Não chore, Lois. Vou levá-la para um lugar bom, onde você terá uma boa comida, bom descanso, boa educação. “‘Este é o meu Centro Michael Job”.
Meninas como Lois vão se tornar um dia agentes de mudança na Índia, diz Cindy Collins, diretor da Operação Clamor, um ministério que se estende a mulheres traumatizadas pelo aborto. “O centro é um lugar de recuperação para estas jovens mulheres que foram resgatadas da morte, que viram seus pais serem martirizados, que foram abandonadas, que foram enterradas vivas”, diz Collins, que atuou como voluntária no Centro três vezes nos últimos dois anos, mais recentemente, em junho. “É um lugar de preparação e de destino para essas mulheres para que haja mudança em sua nação.”
“ELE SEGURA AS MINHAS MÃOS”
Apesar de oficialmente ter liberdade religiosa, a Índia continua a ser um lugar perigoso para os cristãos. Em 2009, houve mais de 152 ataques contra os cristãos, de acordo com a Associação Evangélica da Índia. E embora o governo defenda a tolerância religiosa, a Comissão dos EUA sobre Liberdade Religiosa Internacional colocou a Índia na sua lista de observação novamente este ano por causa da constante violência entre comunidades e devido à reação em grande parte inadequada do governo.
Grande parte da violência tem motivação política, com partidos nacionalistas hindus procurando tanto o domínio religioso quanto o político. Cinco estados, incluindo Orissa, passaram as leis anti-conversão religiosa, o que levou a dezenas de prisões neste ano.
Pelo fato de que todas as grandes religiões do mundo estão representadas na Índia, (a nação tem uma maioria hindu e uma das maiores populações muçulmanas do mundo), Job diz que o evangelismo ali é altamente competitivo.
“Temos que lutar por nossa existência, quando dizemos que somos cristãos”, diz Job. “Quando você diz que o cristianismo é o único caminho para o céu, as pessoas querem te matar.”
Mas o sofrimento não é algo de que os cristãos devem fugir, afirma o evangelista. “É pelo sofrimento que se aprende a se render ao Senhor”, ele escreve em Turn Your Sorrow. “Portanto, o sofrimento é um meio de se aproximar de Deus.”
É assim que a sua fé sobreviveu à morte de seus filhos, e como ele continuou a trabalhar no ministério, apesar de suas perdas. Ele diz que Deus segurou a sua mão.
“Quando meus filhos estavam mortos, eu recebi força do alto”, diz ele. “Jesus está segurando nossas mãos. Isso é chamado de graça.
“Não é só a experiência de Paulo na escuridão da vida. … É também a minha experiência pessoal, de que ele segura minhas mãos, “Job acrescenta. “Não é fácil, mas eu tenho experimentado esse poder, o poder da graça, em meio à escuridão.”
Seis meses depois do assassinato de Michael, Job dissera à sua esposa que eles não iriam compreender por que Deus permitiu que seu filho morresse, até que chegassem ao céu. Mas ele mudou de idéia.
“Agora posso dizer a ela que 504 filhas dela vivem, têm vida, têm sua formação, têm uma esperança, têm um futuro”, diz ele. “Então agora eu tenho uma resposta aqui mesmo na Terra, antes de chegar ao céu.
“Você não precisa esperar chegar ao céu para saber. Este é o reino de Deus aqui na Terra. “
FONTE: CHARISMA MAGAZINE – Adrienne S. Gaines – Dezembro de 2010

































Esse processo é absolutamente pessoal e ocorre de forma individualizada. Por isso não faz sentido cobrar de ninguém um determinado padrão de comportamento cristão, pois esse comportamento depende do relacionamento íntimo de cada indivíduo com Deus.


















A problemática cantora britânica Amy Winehouse foi encontrada morta no fim de semana em seu apartamento, gerando especulações sobre como morreu. A polícia ainda não determinou a causa da morte e as circunstâncias ainda não foram esclarecidas. Winehouse pode ter morrido por uma série de coisas: suicídio, homicídio e até uma condição médica desconhecida.






É normal acreditar que amizades coloridas são situações simples de lidar, sem emoções ou compromissos. Mas a realidade normalmente é bem diferente. A amizade com benefícios não deixa de ser um relacionamento que envolve sentimentos – e nem seria possível, ou mesmo agradável, se não envolvesse. Afinal, relações sexuais sem nenhuma emoção seriam como sexo com um robô.













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